Ramble Sounds

Music that Rambles on and on…

The Rural Alberta Advantage – Departing



Este trio canadense, formado por Nils Edenloff, Amy Cole e Paul Banwatt, fez bastante sucesso no cenário alternativo com Hometowns, o álbum de estreia. A voz marcante de Edenloff, a bateria alucinada de Paul Banwatt e a doçura de Amy Cole transmitiam certas influências como Neutral Milk Hotel e Yo la Tengo, mas sem deixar a autenticidade de lado. Hometowns possui músicas cheias de energia e intensidade, com letras que remetem a corações partidos e a um certo bucolismo da região de Rural Alberta.

Em Departing, segundo trabalho da banda, parece que eles resolveram dar uma diminuida na energia e agressividade para investir mais em um lado light. Departing está recheado de músicas que agradam os ouvidos por serem mais calmas e por terem letras que demonstram um certo lirismo, como por exemplo a Tornado 87. O batera Paul Banwatt foi um grande responsável pelo sucesso do primeiro álbum, mas como a banda optou por uma pegada mais leve ele não aparece tanto aqui.

Nils Edenloff continua cativante, algo que se reflete no poder viciante de boa parte das músicas de Departing. O ponto alto é Stamp, uma mistura perfeita das tendências do The RAA, com particular destaque para a voz de Amy Cole, que faz desta música algo mágico e de beleza única.

Departing pode não ser tão bom como Hometowns, mas é inegável que o The Rural Alberta Advantage continua criando um som sincero e com melodias pra lá de agradáveis. Escutar estes dois albuns em sequência é prova mais do que suficiente de que a banda tem potencial para crescer, independente do estilo que escolham seguir.

1.      Two Lovers
2.      The Breakup
3.      Under the Knife
4.      Muscle Relaxants
5.      North Star
6.      Stamp
7.      Tornado ’87
8.      Barnes’ Yard
9.      Coldest Days
10.     Good Night

PJ Harvey – Let England Shake

PJ Harvey - Let England Shake
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Bom, pra estrear o blog, vou começar com o novo disco da consagradíssima PJ Harvey, “Let England Shake”. Essa escolha se deu por dois motivos principais: quero me concentrar em escrever sobre álbuns lançados recentemente; eu normalmente gosto da PJ e queria começar com chave de ouro.

Let England Shake tem alguns fatos interessantes por trás. Como ela ter gasto cerca de dois anos e meio para escrevê-lo e gravá-lo. Foi a primeira vez que ela tocou saxofone em um disco. Foi gravado em uma igreja na Holanda. Mas, o mais notável é a diferença na sua voz e o perfil sério, e até político, de muitas das suas letras.

Segundo Polly Jean, ela começou escrevendo as letras antes das músicas, se inspirando em poesias de Harold Pinter e T.S. Eliot. Além de Salvador Dalí e Francisco Goya, e músicas do The Doors e The Velvet Underground, entre outras influências. Com isso, conforme as músicas e arranjos foram sendo escritos, ela sentiu que aquela sua voz, tradicionalmente forte e madura (até sexy), deixava tudo muito artificial e “errado”. Daí, vem esse novo estilo, mais suave e contido.

Essa “nova” voz funciona. O disco todo funciona. Os arranjos são, em sua maioria, perfeitos (mesmo!). Algumas músicas tem melodias lindas. Quase todas as letras são bastante densas, sendo que muitas falam de guerras. Não somente “falam” de guerras, as letras são realmente um dos maiores atrativos aqui. Mas, mesmo assim, em alguns momentos senti saudade daquela voz. Principalmente na música “Bitter Branches”, que é, provavelmente, a mais “nervosa” de todo o disco. E também uma das melhores.

No todo, PJ Harvey acerta a mão (e a voz) mais uma vez. Mostrando toda sua maturidade musical e artística, ela sai do seu lugar comum e experimenta coisas fora da sua zona de conforto. E faz isso com muito sucesso. Não quero exagerar, mas Let England Shake provavelmente será considerado um dos melhores da cantora no futuro.


Ouça “Let England Shake” e “Bitter Branches” no Youtube.

Revisado por Petit Gabi.

f.

Olá!

Olá, pessoas.

Finalmente fiz um blog para escrever sobre música. Já tinha essa ideia há um bom tempo, mas a preguiça sempre falou mais alto.
Vou começar sem muitas pretensões (óbvio), portanto pretendo fazer um post por semana. De preferência uma crítica de algum disco lançado recentemente.

Espero que gostem e venham ler.

f.